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+ Morangos

Por Alice Shintani

[Junho de 2009]

Quando nos mudamos para a chácara do Raffo (bairro de Suzano), foi um alívio. O lugar tinha eletricidade! Até então tinha acompanhado meus pais no reconhecimento a dois ou três outros sítios, acho que em Jundiapeba ou Itaquaquecetuba. Eram lugares com ofurôs bem estranhos, escuros, de imigrantes japoneses que já tinham ido para melhor, e ficava me perguntando como é que iria ser a vida sem geladeira (pois eu ainda desconhecia a estória da refrigeração a querosene, ou mesmo do ferro a carvão…). E o pior, como é que iria negociar a cozinha com os fantasmas dos velhos proprietários, na base do lampião.

No Raffo, tirando o detalhe da luz, como nas demais chácaras a estrutura que encontramos havia sido construída por outra família, bem mais niponicamente original que a nossa. Tinha sido uma granja, que havia virado plantação de morangos. Meus pais tentaram prosseguir com os morangos, mas acho que faltou um pouco de algo para cuidar das frutas. Era necessário ficar sempre desbastando, passando chapinha e, de tempos em tempos, cobrir os canteiros com plástico preto. E eu achava meio estranho a maneira como a gente tinha que montar as cumbucas: colocar os morangos pequenos e os deformados por baixo e os grandes, bonitos só na camada de cima. O que virou é que, pouco tempo depois, passamos a despachar alface, agrião e couve para os F-4000 dos meus tios feirantes e para o ceasa.

Mesmo rápida - durou uma estação a empreitada com os morangos - foi praticamente a única experiência vermelha da nossa temporada no Raffo. Houve algum momento depois uma tentativa com tomates, mas meu pai, pelos olhares, acho que teve um acidente grave com agrotóxicos e os tomates foram definitivamente abortados.

Ademais, tomates não eram morangos, e morangos eram doces, mesmo que a gente não pudesse comê-los, pequenos ou grandes, sob o risco da sempre iminente intoxicação.

Estudos para a série "O Cru e o Cozido", 2013.

+ textos sobre exposições

Pintura Como Expansão. Felipe Scovino, 2010.
Sobre mostra na Mercedes Viegas Arte Contemporânea, Rio de Janeiro.

Quimera. Paulo Sérgio Duarte, 2009.
Sobre obra apresentada no Programa Rumos Artes Visuais - Trilhas do Desejo.

Ecologias do olhar. Juliana Monachesi, 2008.
Sobre mostra na Galeria Marcelo Guarnieri, Ribeirão Preto.

Entre o silêncio e a dissonância. Fernanda Albuquerque, 2007.
Sobre mostra na Temporada de Projetos 2007-2008, Paço das Artes, São Paulo.

Quimera. Guy Amado, 2007.
Sobre mostra na Galeria Virgílio, São Paulo.

Antimatéria. José Bento Ferreira, 2007.
Sobre mostra no Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo.

+ outras publicações

Macumbinha. Alice Shintani, 2012.

Manãna. Alice Shintani, 2011.

Morangos. Alice Shintani, 2009.

Entrevista. Jornal NippoBrasil, 2009.
Impressões gerais sobre o tal "artista emergente" e o circuito de arte.


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